{"id":738,"date":"2024-08-30T23:25:59","date_gmt":"2024-08-30T23:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/?p=738"},"modified":"2024-12-21T12:16:06","modified_gmt":"2024-12-21T12:16:06","slug":"voluntariado-na-casa-do-povo-da-ribeira-do-neiva","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/?p=738","title":{"rendered":"Voluntariado na Casa do Povo da Ribeira do Neiva"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading has-black-color has-text-color has-link-color has-xx-large-font-size wp-elements-5073e2fc7e82f5f6a6cd283af8d45508\">Voluntariado na Casa do Povo da Ribeira do Neiva<\/h2>\n\n\n\n<p>Durante o m\u00eas que passei na Casa do Povo, estive envolvida em dois tipos diferentes de atividades: atividades com crian\u00e7as e atividades com idosos.<\/p>\n\n\n\n<p>Atividades com crian\u00e7as \u00e9 algo a que j\u00e1 estou habituada uma vez que trabalho com crian\u00e7as j\u00e1 h\u00e1 sete anos. No entanto, fui colocada numa situa\u00e7\u00e3o nova: ter de interagir com crian\u00e7as mesmo n\u00e3o falando portugu\u00eas.<br> <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text is-stacked-on-mobile\" style=\"grid-template-columns:30% auto\"><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"398\" src=\"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-37-32.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-743 size-full\" srcset=\"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-37-32.png 300w, https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-37-32-226x300.png 226w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/figure><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-big-font-size\">Foi um desafio interessante e fiquei surpreendida com o qu\u00e3o abertas as crian\u00e7as estavam para me explicar coisas, ensinando-me palavras e express\u00f5es b\u00e1sicas, sempre a fazer-me perguntas e a querer comunicar e brincar comigo. E valeu a pena, porque, depois de uma semana e meia com elas, comecei realmente a entender cada vez mais o que estavam a dizer.<\/p>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p>Agora, trabalhar com idosos \u00e9 algo que nunca tinha feito antes e, francamente, estava um pouco receosa de que toda a experi\u00eancia fosse dif\u00edcil de lidar, sobretudo a n\u00edvel emocional. N\u00e3o sabia se tinha os recursos necess\u00e1rios para suster esse espa\u00e7o.<br>Tudo o que queria fazer era tentar olhar al\u00e9m do estado fr\u00e1gil dos corpos das pessoas ou dos momentos de divaga\u00e7\u00e3o mental e, definitivamente, tentar v\u00ea-las como pessoas, e n\u00e3o pela idade ou apar\u00eancia f\u00edsica.<br>A \u00faltima coisa que queria era que vissem pena nos meus olhos. Queria que me vissem como algu\u00e9m que vai ali para se divertir com elas. E foi exatamente isso que aconteceu.<\/p>\n\n\n\n<p>Diverti-me imenso a jogar com os idosos e a fazer diferentes tipos de atividades. Foi t\u00e3o gratificante ver como ainda se divertem e como continuam a \u201cpregar partidas\u201d uns aos outros, tal como as crian\u00e7as fazem. A minha atividade preferida foi quando jog\u00e1mos \u00e0 bola todos juntos. E acho que eles diriam o mesmo.<br>Foi muito bom ver que, no in\u00edcio, apenas passavam a bola \u00e0 pessoa que estava ao lado, e, quando tentei sugerir que passassem a bola mais longe, disseram que n\u00e3o conseguiam faz\u00ea-lo. No entanto, ap\u00f3s algumas jogadas, lan\u00e7ar passes longos para mim tornou-se a coisa mais divertida de fazer. Isso tamb\u00e9m porque, \u00e0s vezes, eu n\u00e3o conseguia apanhar a bola, e eles riam-se de mim por tentar fazer poses imposs\u00edveis para tentar apanhar a bola de volta.<br><br>Adorei pintar as unhas (mesmo sabendo que n\u00e3o sou boa nisso, pois nunca o tinha feito antes), mas elas foram t\u00e3o queridas e disseram-me que estava muito bonito. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-media-text has-media-on-the-right is-stacked-on-mobile\"><div class=\"wp-block-media-text__content\">\n<p class=\"has-big-font-size\">Adorei levar algumas das senhoras a dar um passeio pela aldeia. Sei que n\u00e3o se deve ter prefer\u00eancias, mas confesso que h\u00e1 4 ou 5 senhoras por quem realmente me afei\u00e7oei e que gostaria muito de voltar a v\u00ea-las.<\/p>\n<\/div><figure class=\"wp-block-media-text__media\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"804\" height=\"781\" src=\"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-42-39.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-746 size-full\" srcset=\"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-42-39.png 804w, https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-42-39-300x291.png 300w, https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/08\/Captura-de-ecra-de-2024-12-20-23-42-39-768x746.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Por \u00faltimo, mas n\u00e3o menos importante, a Irene foi uma presen\u00e7a t\u00e3o ador\u00e1vel e uma grande ajuda, especialmente ao explicar-me como as coisas funcionam, como devo abordar as pessoas, como devo ajud\u00e1-las a levantar-se, etc. Ela teve tanta paci\u00eancia comigo, falando devagar, e a raz\u00e3o pela qual agora consigo entender portugu\u00eas e falar a um n\u00edvel b\u00e1sico \u00e9 gra\u00e7as a ela. \u00c9 uma pessoa muito simp\u00e1tica e especial, engra\u00e7ada, com uma energia calorosa e acolhedora, e estou muito grata por ter tido a oportunidade de trabalhar com ela e aprender com ela. Apreciei especialmente o facto de que, mesmo no in\u00edcio, quando eu n\u00e3o conseguia responder bem ao que ela dizia, e era principalmente ela a falar comigo, nunca deixou de conversar comigo. E isso ajudou-me, pouco a pouco, a aprender, a abrir-me mais e a conseguir ter algumas conversas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-big-font-size\">Pode n\u00e3o parecer muito, mas fez-me sentir inclu\u00edda e que havia um desejo de conex\u00e3o, apesar da barreira lingu\u00edstica.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu n\u00e3o sabia como poderia ser ainda mais \u00fatil na casa do povo, al\u00e9m de ser eu mesma, mas, no meu \u00faltimo dia soube que o centro precisa de uma pessoa para fazer massagens, e ofereci-me para essa tarefa. As senhoras parece que gostaram, por isso gostaria de voltar um dia para uma visita e oferecer massagens a quem precisar.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o sei como resumir toda a experi\u00eancia, porque me ensinou muitas li\u00e7\u00f5es de vida, e, sempre que penso nisso, descubro algo mais. <br><br>Talvez o medo inicial que tive em rela\u00e7\u00e3o a cuidar de pessoas idosas n\u00e3o estivesse realmente relacionado com o emocional, talvez fosse o ego a dizer: \u201cN\u00e3o quero ver qu\u00e3o fr\u00e1geis nos tornamos quando envelhecemos\u201d. Pode ser uma imagem dif\u00edcil, se pensares que um dia tamb\u00e9m ser\u00e1 a tua vez.<br>No entanto, ultrapassando isto, como j\u00e1 disse antes, trouxe \u00e0 tona uma nova perspetiva, porque normalmente a narrativa que ou\u00e7o \u00e9 que, quando envelhecemos muito, j\u00e1 n\u00e3o podemos fazer coisas, perdemos a independ\u00eancia, e at\u00e9 nos perdemos a n\u00f3s mesmos, talvez.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"934\" height=\"662\" src=\"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/foto1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-704\" srcset=\"https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/foto1.png 934w, https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/foto1-300x213.png 300w, https:\/\/voluntariado.omundosomosnos.org\/wp-content\/uploads\/2024\/12\/foto1-768x544.png 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 934px) 100vw, 934px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-big-font-size\"><br>O que vi e experimentei na Casa do Povo foi revelador. <br>At\u00e9 esperan\u00e7oso.<br>Ver pessoas a brincar, a divertir-se e a rir fez-me superar esse medo de envelhecer.<\/p>\n\n\n\n<p> Estou realmente grata por ter tido esta experi\u00eancia, que me ajudou de formas que nem consigo descrever!<br><br>Diana Chiru, Agosto 2024<br>Colabora\u00e7\u00e3o local com a Casa do Povo Ribeira do Neiva<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Voluntariado na Casa do Povo da Ribeira do Neiva Durante o m\u00eas que passei na Casa do Povo, estive envolvida em dois tipos diferentes de atividades: atividades com crian\u00e7as e atividades com idosos. 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