
Exposição O Caminho Místico dos Peregrinos
Olá, eu sou a Cristina ou Kiki – como a maioria das pessoas me conhece, e estou a fazer o meu voluntariado no âmbito do Corpo Europeu de Solidariedade (CES) na associação O Mundo Somos Nós (OMSN), em Portugal, de 03 Março 2024 a 16 Dezembro 2024.
Já passaram alguns dias desde 14 Junho 2024. Mas porque menciono esta data?
Nesse dia aconteceu uma exposição artística, cujos principais ‘atores’ foram as crianças da Escola do Mundo do OMSN, orientadas por mim, Kiki.

Ou por outras palavras, no dia 14 de Junho concretizei o meu projeto pessoal – uma oportunidade que o OMSN oferece aos voluntários do CES para desenvolverem as suas próprias ideias/projetos e que tenha valor para o OMSN e para a comunidade local.
Vocês perguntam: a exposição foi divertida? Claro que sim. O evento foi satisfatório? Com certeza.
Foi cansativo? Sim, alguns dias depois do evento ainda estou em recuperação física e mental. Mas todo esforço valeu a pena!
O Caminho de Santiago é uma rede de caminhos de peregrinos e peregrinações que conduzem ao santuário onde estão enterrados os restos mortais do apóstolo Tiago na catedral de Santiago de Compostela, na Galiza (Espanha).
Com as crianças criámos máscaras coloridas, que representam metaforicamente as almas coloridas dos peregrinos.
Possivelmente estão a perguntar-se: “Como é que eu tive esta ideia?”
Bom, eu vou contar-vos.
Para ser sincera, antes de vir para Portugal, eu não fazia ideia o que era o “Caminho de Santiago”. Mas tenho o privilégio de estar alojada num albergue (Albergue de Peregrinos de Goães), um alojamento pensado especificamente para quem embarca nesta aventura de percorrer o Caminho. E porque eu sou uma pessoa que adora estar rodeada de cores, quando cheguei ao albergue questionei-me porque o albergue é tão branco e simples?
Porque é que não faço aqui alguma coisa e torno-o mais colorido?! Para além disso, eu também gosto de trabalhar com crianças, porque para mim são uma lufada de ar fresco, uma fonte de ideias e inspiração.

E assim, reunindo algumas das minhas coisas favoritas, nasceu a ideia de realizar uma exposição no albergue.
A abertura oficial do evento começou com um flash mob dançado por mim e pelas crianças, seguido das boas-vindas ao público.

Além dos trabalhos artísticos, a audiência teve a oportunidade de ver as apresentações dos professores do secundário Carlos Mangas e Manuel Rodrigues, que fizeram 14 caminhos com jovens e Nanni Pinto (escritora, artista, acupunturista, professora de tai chi e muitas outras coisas) que realizou 4 caminhos.
Foi muito inspirador conhecer as suas experiências e aventuras pessoais.
Os principais objetivos que estabeleci para a exposição foram o de contribuir para a promoção do albergue, dar a conhecer mais sobre peregrinos e em geral divulgar mais informação sobre o Caminho de Santiago.
No final do evento, depois de muito trabalho, noites agitadas e cansaço acumulado, não consegui compreender o impato alcançado.
Julguei que os meus objetivos não tinham sido alcançados, até que a minha supervisora me disse que alguns pais, incluindo ela mesma, tinham ficado inspirados para fazer parte do Caminho. Eu fiquei agradavelmente surpreendida.
Não fazia ideia que a exposição tinha causado um impato tão positivo nas pessoas que participaram no evento!
Na verdade, a minha ideia original era deixar algo permanente no albergue que trouxesse alegria aos olhos de quem por ali passasse. Não correu como planeei, porque pendurar permanentemente as máscaras no albergue acabou por ser mais difícil do que eu esperava. Mas agora estou consciente da direção que quero seguir com o meu próximo projeto.
Tive muitos percalços no caminho e nem sempre consegui o que queria – por vezes corria melhor do que o esperado, outras vezes nem por isso.
No início do projeto procurava perfeição, mas a meio do caminho desisti desse conceito.
É uma coincidência interessante que um dos princípios que se aprende durante o Caminho é “o deixar ir”. Foi o que aprendi ao dedicar o meu tempo ao Caminho, embora ainda não o tenha percorrido.

Fico extremamente feliz ao ver que criei uma nova perceção nas crianças. Agora, quando as crianças vêm a concha, símbolo e marca de Santiago, automaticamente associam-na a tudo o que aprenderam ao longo da exposição. Isso é resultado do trabalho inicial de familiarização profunda com o tema dos Peregrinos que realizei no início do projeto. E tudo isto foi comunicado em Português.
Posso partilhar convosco que graças a esta experiência aprendi muitas palavras novas e ganhei mais confiança para falar em português. Por vezes quando eu estava com as crianças e não havia ninguém por perto para me ajudar com o português, não tive outra opção a não ser comunicar da forma que sabia. Nesses momentos, fiquei surpreendida por saber muito mais palavras do que pensava.
Às vezes pensamos que precisamos de muito tempo para atingir os nossos objetivos e por mais tempo que tenhamos, este nunca é suficiente.
Mas com esta experiência aprendi que mesmo com pouco tempo podemos alcançar grandes objetivos.
Na verdade, todo o trabalho que fizemos durante um mês foi no tempo “livre” das crianças. Nunca tivemos um horário exclusivamente “nosso” e muitas vezes utilizamos um horário “emprestado” para realizar as máscaras e o “flash mob”.
No entanto, conseguimos realizá-las com o tempo que nos foi cedido, e foi maravilhoso!
Uma das minhas ideias foi surpreender o público com um “flash mob”. Até chegarmos ao resultado final do “flash mob” atravessamos vários desafios.
A primeira vez que tivemos oportunidade de treinar a dança foi num dia extremamente quente. Penso que foi o dia mais quente desde que cheguei a Portugal. Era sexta-feira, final de semana e final de dia, as crianças estavam mais do que cansadas. Além disso, com o calor, derretiam como um gelado. Elas realmente não me queriam ouvir, estavam muito distraídas. Fiquei sozinha com elas, não havia ninguém para me ajudar na tradução e eu senti-me impotente. Foi um momento extremamente crítico, mas de alguma forma reuni forças e com as poucas palavras que sabia em português fiz um pequeno discurso inspirador que as mobilizou para a dança. Elas superaram as sensações desagradáveis que estavam a sentir naquele momento e aprenderam o que eu tinha preparado para o flash mob. Nessa altura senti-me uma vencedora.
Depois desse dia, tive a oportunidade de trabalhar o flash mob com as crianças apenas cerca de 20 minutos.
As crianças só sabiam cerca 1/5 de toda a dança que eu inventei, mas a parte que sabiam parecia estar completa. Tive medo que fosse um desastre, mas as crianças surpreenderam-me, e como costumam dizer: “elas sabiam o que deviam fazer”!
Foi um momento de muita felicidade em especial devido a todos os desafios que ultrapassamos e por ter sido uma surpresa muito agradável para o público.
Este evento foi o primeiro do género e espero que seja o início de muitos outros!
Foi o meu primeiro projeto, como primeira voluntária do CES no OMSN.
Foi a primeira exposição das crianças e a primeira aparição artística fora da escola.
Foi também a minha primeira exposição e o primeiro evento que organizei na minha vida.
Claro que ser pioneira revela imperfeições, mas também permite usufruir de muitas experiências de aprendizagem.
Satisfeita com o que alcançamos, olho com alegria para o próximo pico a conquistar.
Não completei fisicamente o “Caminho de Santiago”, mas mentalmente fiz um longo “caminho” e quero agradecer a todos que me deram uma mão para fazer esta travessia e alcançar este bom resultado!
Christina Anastosava, Agosto 2024
Reviews
“foi de facto um momento muito bonito, que deixou a sementinha de querer fazer o caminho 😊 As crianças também gostaram e colaboraram muito (…) o balanço final é muito positivo …”
Eliana, Educadora OMSN
“ia sem expectativas e adorei a forma como tudo estava apresentado e a energia calma e fluída de todo o evento. A Kiki esteve bem e segura, acho que houve alterações de última hora, mas pronto, são sempre improvisos de última hora. Também fiquei admirada com a calma, atenção e participação das crianças.”
Ivone Apolinário, coordenadora OMSN

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