Voluntariado na Casa do Povo da Ribeira do Neiva
Durante o mês que passei na Casa do Povo, estive envolvida em dois tipos diferentes de atividades: atividades com crianças e atividades com idosos.
Atividades com crianças é algo a que já estou habituada uma vez que trabalho com crianças já há sete anos. No entanto, fui colocada numa situação nova: ter de interagir com crianças mesmo não falando português.

Foi um desafio interessante e fiquei surpreendida com o quão abertas as crianças estavam para me explicar coisas, ensinando-me palavras e expressões básicas, sempre a fazer-me perguntas e a querer comunicar e brincar comigo. E valeu a pena, porque, depois de uma semana e meia com elas, comecei realmente a entender cada vez mais o que estavam a dizer.
Agora, trabalhar com idosos é algo que nunca tinha feito antes e, francamente, estava um pouco receosa de que toda a experiência fosse difícil de lidar, sobretudo a nível emocional. Não sabia se tinha os recursos necessários para suster esse espaço.
Tudo o que queria fazer era tentar olhar além do estado frágil dos corpos das pessoas ou dos momentos de divagação mental e, definitivamente, tentar vê-las como pessoas, e não pela idade ou aparência física.
A última coisa que queria era que vissem pena nos meus olhos. Queria que me vissem como alguém que vai ali para se divertir com elas. E foi exatamente isso que aconteceu.
Diverti-me imenso a jogar com os idosos e a fazer diferentes tipos de atividades. Foi tão gratificante ver como ainda se divertem e como continuam a “pregar partidas” uns aos outros, tal como as crianças fazem. A minha atividade preferida foi quando jogámos à bola todos juntos. E acho que eles diriam o mesmo.
Foi muito bom ver que, no início, apenas passavam a bola à pessoa que estava ao lado, e, quando tentei sugerir que passassem a bola mais longe, disseram que não conseguiam fazê-lo. No entanto, após algumas jogadas, lançar passes longos para mim tornou-se a coisa mais divertida de fazer. Isso também porque, às vezes, eu não conseguia apanhar a bola, e eles riam-se de mim por tentar fazer poses impossíveis para tentar apanhar a bola de volta.
Adorei pintar as unhas (mesmo sabendo que não sou boa nisso, pois nunca o tinha feito antes), mas elas foram tão queridas e disseram-me que estava muito bonito.
Adorei levar algumas das senhoras a dar um passeio pela aldeia. Sei que não se deve ter preferências, mas confesso que há 4 ou 5 senhoras por quem realmente me afeiçoei e que gostaria muito de voltar a vê-las.

Por último, mas não menos importante, a Irene foi uma presença tão adorável e uma grande ajuda, especialmente ao explicar-me como as coisas funcionam, como devo abordar as pessoas, como devo ajudá-las a levantar-se, etc. Ela teve tanta paciência comigo, falando devagar, e a razão pela qual agora consigo entender português e falar a um nível básico é graças a ela. É uma pessoa muito simpática e especial, engraçada, com uma energia calorosa e acolhedora, e estou muito grata por ter tido a oportunidade de trabalhar com ela e aprender com ela. Apreciei especialmente o facto de que, mesmo no início, quando eu não conseguia responder bem ao que ela dizia, e era principalmente ela a falar comigo, nunca deixou de conversar comigo. E isso ajudou-me, pouco a pouco, a aprender, a abrir-me mais e a conseguir ter algumas conversas.
Pode não parecer muito, mas fez-me sentir incluída e que havia um desejo de conexão, apesar da barreira linguística.
Eu não sabia como poderia ser ainda mais útil na casa do povo, além de ser eu mesma, mas, no meu último dia soube que o centro precisa de uma pessoa para fazer massagens, e ofereci-me para essa tarefa. As senhoras parece que gostaram, por isso gostaria de voltar um dia para uma visita e oferecer massagens a quem precisar.
Não sei como resumir toda a experiência, porque me ensinou muitas lições de vida, e, sempre que penso nisso, descubro algo mais.
Talvez o medo inicial que tive em relação a cuidar de pessoas idosas não estivesse realmente relacionado com o emocional, talvez fosse o ego a dizer: “Não quero ver quão frágeis nos tornamos quando envelhecemos”. Pode ser uma imagem difícil, se pensares que um dia também será a tua vez.
No entanto, ultrapassando isto, como já disse antes, trouxe à tona uma nova perspetiva, porque normalmente a narrativa que ouço é que, quando envelhecemos muito, já não podemos fazer coisas, perdemos a independência, e até nos perdemos a nós mesmos, talvez.

O que vi e experimentei na Casa do Povo foi revelador.
Até esperançoso.
Ver pessoas a brincar, a divertir-se e a rir fez-me superar esse medo de envelhecer.
Estou realmente grata por ter tido esta experiência, que me ajudou de formas que nem consigo descrever!
Diana Chiru, Agosto 2024
Colaboração local com a Casa do Povo Ribeira do Neiva


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